"(…) Voltávamos para as espreguiçadeiras de vez em quando e cantávamos ditirambos hesitantes, engenhosos, nervosos e delicados sobre os sentimentos que começávamos a experimentar um em relação ao outro. Na verdade, só passávamos a ter aqueles sentimentos a partir do momento em que falávamos neles — pelo menos no meu caso; quando dava nome a um deles, eu o inventava e passava a senti-lo. De tanto agitar nossa sensação de estranheza e novidade, geramos uma espuma que se assemelhava ao amor, e não ousávamos insistir demais naquela brincadeira, falar demais naquilo, com medo de que a espuma baixasse e morresse. Assim, alternávamos entre as espreguiçadeiras e ía
água, a fala e o silêncio, e levando-se em conta a tensão rnevna. vel que Brenda me inspirava, e as muralhas de ego que se elevavam, com contrafortes e tudo, entre ela e seu autoconhecimento, até que nos saímos muito bem."
— Philip Roth, in Adeus, Columbus